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sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Não me mates só por matar


Não me mates só por matar
Mata-me a fome
E arrecada o pão
Que não te atormenta
Para me matares amanhã
De novo.

Mata-me de olhares de amor
Não com o brilho da piedade
Não me mates de pena
Mata-me em gestos de carinho
Com afagos sem balas perdidas
Nem certeiras!

Mata-me a sede
Com o copo que te enfeita as manhãs
De todos os dias
Não me mates a vergonha
De ser filho do outro lado da vida
Mata-me o silêncio
Que me escorre nas faces
Em dias de chuva
Onde purifico o corpo

Os mesmos dias em que não purificas a alma
Por não lhe conheceres a esquina do seu grito…

Não me mates só por matar

Mata-me o princípio de ti
Que termina no resto de mim…

Depois
Se te quiseres matar
Mata-te!

Mas deixa-me ficar
Continuar neste meu sóbrio desejo
De lutar!

Manuela Fonseca

3 comentários:

Autor disse...

Gostei

Conceição Bernardino disse...

Olá Manuela,
Fizeste-me arrepiar, sufocaste-me com estas crianças que não me são indiferente.
Eu grito, eu choro, mas quem nos ouve de que nos serve?
Se não lhe podemos dar um carinho, amor, um pedaço de pão.
Quem nos ouve?

Sinto-me impotente perante tanta dor, afinal de que nos lamentamos nós, quando a dor dessas crianças é culpa de todos nós.

Conceição

Maria disse...

Muito forte, tal como um grito.
Obrigada Manuela.